Se todos forem indulgentes ou benevolentes, ninguém toma a iniciativa de impor disciplina ou assumir responsabilidade necessária.
Versão neutra
Se tu és indulgente e eu sou indulgente, quem vai assumir a responsabilidade ou dar ordens quando for preciso?
Faqs
O que significa 'tanger o asno'? Literalmente, 'tanger' quer dizer conduzir ou fazer andar; no provérbio é metáfora para exercer autoridade, conduzir uma tarefa ou obrigar alguém a cumprir regras.
Quando devo usar este provérbio? Use-o quando quiser sublinhar que falta alguém para assumir responsabilidade, disciplina ou decidir algo impopular mas necessário, habitualmente com tom irónico ou crítico.
É um provérbio ofensivo ou politicamente incorreto? Não é ofensivo por si; é um provérbio tradicional. Deve contudo evitar-se aplicá‑lo para desvalorizar soluções cooperativas ou para justificar autoritarismo injustificado.
Há alternativas mais modernas? Sim: expressões como 'alguém tem de tomar a dianteira' ou 'é preciso alguém que assuma' cumprem função semelhante sem traços rurais.
Notas de uso
Usa-se quando falta alguém que assuma autoridade, disciplina ou responsabilidade numa tarefa ou grupo.
Frequentemente empregado de forma irónica para sublinhar a necessidade de liderança ou de regras.
Registo: popular, coloquial; pode soar arcaico em contextos mais urbanos.
Aplicável em família, trabalho, reuniões e situações em que se espera alguém para tomar decisões impopulares.
Exemplos
Numa reunião da equipa, todos evitavam criticar o trabalho de Carlos; eu disse: 'Tu bom e eu bom, quem há de tanger o asno?' — alguém tem de definir prazos e padrões.
Os pais discutiam se punir ou não o filho; um deles suspirou: 'Tu bom e eu bom, quem há de tanger o asno?' e ficou claro que precisavam de regras consistentes.
Quando dois vizinhos não quiseram chamar a atenção ao cão que andava a roer os pneus, um terceiro comentou: 'Tu bom e eu bom, quem há de tanger o asno?' — precisava-se de alguém para resolver o problema.
Variações Sinónimos
Tu bom, eu bom, quem manda?
Se todos forem indulgentes, quem pune?
Todos benevolentes, ninguém dirige
Relacionados
Quem não quer mandar, tem de obedecer (ideia de necessidade de liderança)
Quem não impede, consente (sobre responsabilidade por omissão)
Quem vai tomar conta disto? (expressão para falta de iniciativa)
Contrapontos
Promover responsabilidade partilhada em vez de depender de autoridade única — distribuir tarefas e regras claras.
Valorizar liderança consensual e pedagógica em vez de apenas impor disciplina.
Recordar que a autoridade deve ser exercida com justiça e não com rigor excessivo.
Equivalentes
Inglês (equivalente aproximado) "If everyone is too kind, who will do the hard job?" — aproximação; também se usa a expressão 'Who will bell the cat?' para indicar quem tomará a iniciativa arriscada.
Espanhol (literal / popular) "Tú bueno y yo bueno, ¿quién ha de atizar al asno?" — expressão semelhante em parlendas rurais; transmite a mesma ideia de falta de quem imponha disciplina.
Francês (aproximado) "Si tu es bon et moi aussi, qui conduira l'âne ?" — tradução literal; o sentido pode ser comparado a prover quem toma decisões necessárias.