Na primeira vez que me enganar é sua culpa. Na segunda será culpa minha.
Provérbios Árabes
Atribui responsabilidade ao enganador na primeira ocorrência; se a pessoa se deixar enganar de novo, a responsabilidade passa a ser do enganado.
Versão neutra
Se alguém me enganar uma vez, a responsabilidade é de quem enganou; se a mesma pessoa me enganar outra vez, a responsabilidade será minha por não ter evitado repetir o erro.
Faqs
- O que significa este provérbio em poucas palavras?
Significa que a primeira vez que alguém engana uma pessoa é responsabilidade do enganador; se o mesmo engano se repetir, a responsabilidade passa a ser daquele que se deixou enganar por não ter aprendido com a experiência. - É correto usar este provérbio para culpar sempre a vítima?
Não. Embora o provérbio enfatize responsabilidade pessoal, nem todas as situações são comparáveis: manipulação, falta de informação ou desigualdades de poder podem tornar a vítima menos responsável. Deve avaliar-se o contexto antes de atribuir culpa. - Quando é apropriado recorrer a este provérbio?
Quando se quer aconselhar precaução e sublinhar a necessidade de aprender com erros passados — por exemplo, em finanças pessoais, relações de trabalho ou escolhas pessoais — mas evitando simplificações que ignorem circunstâncias atenuantes.
Notas de uso
- Usa-se para sublinhar a importância de aprender com experiências negativas e não repetir o mesmo erro.
- É frequente em contextos pessoais e financeiros (compras, investimentos, relações de confiança) como aviso para maior cautela futura.
- Pode ser proferido de forma aconselhadora ou acusatória; o tom depende do contexto e das intenções do falante.
- É importante não usar este provérbio para justificar culpa automática sobre vítimas em situações de manipulação, coerção ou desigualdade de poder.
Exemplos
- O vendedor enganou-me na primeira compra; na segunda vez recusei a oferta, porque este provérbio lembra-me que devo aprender com a experiência.
- Depois de ser burlado num investimento, percebi que a primeira vez pode ser culpa do outro, mas se eu voltar a investir sem verificar, a responsabilidade será minha.
- Ela avisou o amigo: «Na primeira vez que me enganares é tua culpa; se voltares a fazê-lo, a culpa será minha», para justificar que cortaria a relação se a traição se repetisse.
Variações Sinónimos
- Engana-me uma vez, vergonha tua; engana-me duas, vergonha minha.
- Fool me once, shame on you; fool me twice, shame on me. (equivalente em inglês)
- A primeira vez é culpa de quem engana; a segunda, culpa de quem se deixa enganar.
Relacionados
- Errar é humano; persistir no erro é teimosia/burrice.
- Quem não aprende com a experiência repete os mesmos erros.
- Fool me once, shame on you; fool me twice, shame on me (equivalente idiomático em inglês).
Contrapontos
- Nem sempre a repetição de um engano é culpa da vítima: manipulação, abuso de confiança, dependência emocional ou informação oculta podem impedir a pessoa de reconhecer o risco.
- O provérbio pode ser usado para culpar injustamente quem sofreu fraude, ocultando responsabilidades sistémicas (e.g., falta de proteção legal, práticas comerciais predatórias).
- É possível interpretar o provérbio como um incentivo à vigilância excessiva e desconfiança generalizada, o que pode prejudicar relações de confiança legítima.
Equivalentes
- Inglês
Fool me once, shame on you; fool me twice, shame on me. - Espanhol
La primera vez es culpa del embaucador; la segunda, del engañado. - Francês
Une fois trompé, c'est la faute de l'autre; deux fois trompé, c'est ma faute. - Alemão
Einmal getäuscht ist die Schuld des Betrügers, zweimal ist es meine Schuld.