Rei que não toma, quando do seu não há, a vós do seu dá.

Rei que não toma, quando do seu não há, a vós  ... Rei que não toma, quando do seu não há, a vós do seu dá.

Se o soberano ou titular não reivindica/assegura o que é seu (ou não tem herdeiros), acaba por atribuir ou ceder esses bens a outrem; por extensão, quem não reclama o que lhe pertence pode ver outros ficar com isso.

Versão neutra

O rei que não reivindica o seu, quando não tem herdeiros, acaba por dar o seu a outros.

Faqs

  • Qual é o sentido principal deste provérbio?
    Significa que, se quem tem direito a algo não o reivindica ou não assegura a sua continuidade (por exemplo, não tiver herdeiros), esse algo pode ser dado ou passar para outras pessoas. É um aviso contra a passividade face a direitos ou posições.
  • Em que contextos se pode usar?
    Usa‑se sobretudo em contextos de sucessão, heranças, cargos ou direitos não reclamados, e de modo geral quando se quer sublinhar a necessidade de proteger interesses próprios para não os perder para terceiros.
  • É um provérbio antigo?
    Sim. A formulação é arcaica e tem morfologia típica do português mais antigo; a origem exacta não é documentada, pelo que se considera parte da tradição oral popular.

Notas de uso

  • Forma arcaica de provérbio; linguagem e sintaxe próprios do português medieval/renascentista.
  • Usa‑se para advertir sobre a passividade face a direitos, posições ou bens — por exemplo, numa família, empresa ou cargo público.
  • O provérbio pode referir tanto a falta de herdeiros (sucessão) como a incapacidade ou omissão do titular em fazer valer os seus direitos.
  • Registo formal/idiomático: adequado em textos reflexivos, estudos sobre costumes ou em discursos que invoquem tradição popular; pouco usado na fala corrente sem explicação.

Exemplos

  • Numa discussão sobre a sucessão numa quinta, o advogado lembrou: «Rei que não toma, quando do seu não há, a vós do seu dá» — quer dizer, se a família não cuidar da herança, os bens poderão acabar noutros.
  • No conselho da cooperativa, António advertiu os sócios: «Se ninguém reclamar a direcção, os que vierem de fora tomarão decisões — rei que não toma…»; usou o provérbio para falar da importância de assumir responsabilidades.

Variações Sinónimos

  • Quem não reclama o que é seu, outros tomarão.
  • Se não defendes a tua causa, ela será dada a outro.

Relacionados

  • A ocasião faz o ladrão (oportunismo)
  • Quem não cuida do que é seu perde-o

Contrapontos

  • Quem dá aos pobres não empobrece (valorização da entrega voluntária)
  • Mais vale prevenir do que remediar (insiste em agir cedo, em vez de ceder)

Equivalentes

  • es
    Rey que no reclama, cuando no tiene de los suyos, da a otros lo suyo (tradução literal; sentido próximo: quien no reclama lo propio, lo pierde).
  • en
    A king who does not claim what is his, when he has no heirs, gives his to others (literal translation conveying the proverb's sense).

Provérbios