Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser, vinhas e lagares.

Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser, vinhas e  ... Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser, vinhas e lagares.

Prefere-se deter o capital e os meios de armazenamento (o lucro) e deixar a posse ou o trabalho das terras a outros; indica que quem tem dinheiro pode dispensar a labuta ou delegar a produção.

Versão neutra

Se eu tiver capital e recipientes para conservar o vinho, quem quiser pode ficar com as vinhas e os lagares.

Faqs

  • O que significam 'pipas' e 'cabedal' neste provérbio?
    'Pipas' são grandes recipientes para armazenar vinho; 'cabedal' refere-se a recursos, dinheiro ou capital. Juntos simbolizam os meios financeiros e de conservação/valorização do produto.
  • Quando posso usar este provérbio?
    Usa-se para dizer que alguém prefere deter o capital ou o lucro e deixar a posse/gestão da produção a outros; funciona bem em críticas à lógica do capital versus trabalho, ou ironicamente em negócios.
  • É um provérbio comum atualmente?
    É reconhecível, sobretudo em contextos literários ou regionais; tem um registo algo arcaico devido ao vocabulário rural, pelo que em conversas modernas costuma ser parafraseado.
  • Implica sempre ganância?
    Nem sempre, mas frequentemente é usado com sentido crítico ou irónico para apontar que alguém quer os benefícios sem assumir a responsabilidade ou o trabalho.

Notas de uso

  • Registo: arcaico/popular; a expressão usa vocabulário ligado ao mundo do vinho (pipas, lagares) e pode soar rural ou literário hoje em dia.
  • Insinua uma separação entre capital (cabedal) e trabalho/propriedade produtiva (vinhas e lagares): quem tem capital detém o poder e não precisa de gerir a produção.
  • Emprega-se ironicamente para criticar quem prefere lucros fáceis e delega a responsabilidade ou o trabalho árduo.
  • Em contexto moderno, aplica-se a situações entre investidores e operadores: alguém financia e outro trata da operação.
  • Ao usar, ter atenção ao tom (pode implicar cinismo sobre desigualdades económicas).

Exemplos

  • O investidor explicou: 'Tenha eu pipas e cabedal, e quem quiser, vinhas e lagares' — estava a dizer que preferia fornecer o capital e deixar a gestão da adega a profissionais.
  • Quando o senhorio recusou tratar das reparações, comentou-se em tom crítico: 'Ele quer pipas e cabedal e que outros cuidem das vinhas e lagares' — ou seja, quer os lucros sem o trabalho.

Variações Sinónimos

  • Quem tem dinheiro manda.
  • Quem paga manda.
  • Dinheiro chama dinheiro.
  • Prefiro o capital e que outros tratem da produção.

Relacionados

  • Quem tem dinheiro manda.
  • Quem paga manda.
  • Dinheiro chama dinheiro.
  • Quem semeia colhe (contraponto sobre valor do trabalho)

Contrapontos

  • Valorizar o trabalho: há provérbios que destacam a dignidade e a recompensa do labor em vez de apenas o capital.
  • Crítica à desigualdade: a expressão pode ser contraposta à ideia de que é preferível possuir e trabalhar a própria terra do que depender só do capital.
  • Sustentabilidade e conhecimento: gerir a produção (vinhas e lagares) pode ser visto como garantir qualidade e legado, não apenas rendimento imediato.

Equivalentes

  • inglês
    Literal/paráfrase: 'If I have barrels and capital, let others have the vineyards and presses.' Equivalente de sentido: 'He who pays the piper calls the tune.'
  • espanhol
    Tradução literal: 'Tenga yo pipas y capital, y quien quiera, viñas y lagares.' Equivalente de sentido: 'Quien paga, manda.'

Provérbios