A mulher de mercador que fia, escrivão que pergunta pelo dia...

A mulher de mercador que fia, escrivão que pergun ... A mulher de mercador que fia, escrivão que pergunta pelo dia e oficial que vai à caça, não há mercê que lhe Deus faça.

Enumera comportamentos vistos como censuráveis ou suspeitos (falta de pudor, curiosidade imprópria, negligência de funções) e afirma que não merecem clemência ou compreensão.

Versão neutra

A esposa do comerciante que se entrega a tarefas inapropriadas, o escriturário que persegue curiosidades alheias e o funcionário que abandona o trabalho não merecem misericórdia.

Faqs

  • O que quer dizer este provérbio?
    Enumera três tipos de comportamento considerados censuráveis (impropriedade social, curiosidade intrometida e negligência profissional) e afirma que tais atitudes não merecem compaixão.
  • Qual é a origem deste ditado?
    Trata‑se de um provérbio de tradição oral em português; não há registo claro da sua origem exacta, mas o léxico indica uso em períodos antigos (moderno/pré‑industrial).
  • É apropriado usar este provérbio hoje?
    Convém precaução: contém estereótipos de género e juízos morais severos. Pode ser citado em análise literária ou histórica, mas deve evitar‑se para julgar pessoas no contexto contemporâneo.

Notas de uso

  • Frase antiga, usada para censurar ou desaprovar condutas consideradas inadequadas ou perigosas na comunidade.
  • Enumera três figuras sociais específicas para ilustrar tipos de comportamento: uma mulher de mercador (associada à imagem pública e fidelidade), um escrivão curioso e um oficial que abandona tarefas para caçar.
  • Uso contemporâneo deve ter cuidado: contém estereótipos de género e referências a papéis sociais antiquados.
  • Mais frequente em contextos literários ou analíticos; raro na conversação quotidiana moderna.

Exemplos

  • Quando a administração descobriu que o fiscal passava horas a 'caçar' favores em vez de fiscalizar, alguém murmurou: «A mulher de mercador que fia...», recordando o provérbio para criticar a negligência.
  • Numa reunião sobre confidencialidade, o gerente advertiu os colegas: «Não se comportem como o escrivão que pergunta pelo dia» — e citou o provérbio para desalentar a curiosidade indevida.
  • Usou a expressão para censurar rumores e intromissões: «Isso é trabalho de quem persiste em questionar a vida alheia — não há mercê que lhe Deus faça.»

Variações Sinónimos

  • Formas abreviadas usadas em contextos familiares: «Mulher de mercador que fia...»
  • Outras frases populares com sentido próximo: «À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.»

Relacionados

  • À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta.
  • Quem muito pergunta, muito erra. (parcialmente relacionado quanto à crítica da curiosidade)

Contrapontos

  • Visão contemporânea critica a moralização e os papéis de género implícitos; hoje considera-se injusto generalizar e negar misericórdia com base em estereótipos.
  • Misericórdia e julgamento moral são temas contextuais: a banalização do provérbio pode legitimar exclusão social sem considerar circunstâncias.

Equivalentes

  • Inglês (tradução literal)
    The merchant's wife who spins, the clerk who asks about the day and the officer who goes hunting — there is no mercy God grants them.
  • Inglês (paráfrase)
    Those who behave improperly, pry into others' affairs or shirk duties will find no mercy.
  • Espanhol (paráfrase)
    La mujer del mercader que zurce, el escribano que pregunta por el día y el oficial que va de caza, no merecen clemencia.

Provérbios