Tem má cara, mas tem bom coração.
Aparência exterior desagradável ou severa não corresponde à bondade interior; não julgar alguém apenas pela face.
Versão neutra
A pessoa aparenta ser severa ou pouco simpática, mas tem carácter bondoso e boas intenções.
Faqs
- Quando é apropriado usar este provérbio?
Quando queremos sublinhar que a aparência exterior de alguém — por ser severa ou pouco simpática — não reflecte a sua bondade ou generosidade reais. - É ofensivo chamar alguém 'de má cara'?
Depende do tom e do contexto. O provérbio é geralmente usado de forma afectuosa ou justificativa, mas descrevê‑lo isoladamente pode ser interpretado como uma crítica à aparência. - Pode aplicar‑se a qualquer pessoa, incluindo mulheres?
Sim. O provérbio é neutro quanto ao género; contudo, ao aplicá‑lo, convém evitar reforçar estereótipos ou expectativas de comportamento com base na aparência. - Substitui o provérbio o cuidado com comportamentos potencialmente perigosos?
Não. Embora incentive a não julgar só pela aparência, não dispensa avaliação prudente de atitudes e sinais de risco em situações concretas.
Notas de uso
- Usa‑se para defender alguém cujo aspeto é pouco amigável, mas cujas ações ou intenções são generosas.
- Registo coloquial e familiar; comum em conversas informais e descrições pessoais.
- Pode servir como advertência contra julgamentos precipitados com base na aparência.
- Por vezes usado de forma afectuosa para descrever pessoas rudes ou taciturnas que são, na realidade, boas.
Exemplos
- Não faças caso da expressão dele; tem má cara, mas tem bom coração — sempre ajuda os vizinhos quando precisam.
- A professora parece exigente à primeira vista, mas tem bom coração: passa horas a explicar às crianças que ficam para trás.
- Quando o conheci achei‑o fechado, porém com o tempo percebi que tinha bom coração e um grande sentido de justiça.
Variações Sinónimos
- Má cara, bom coração.
- Não é pela cara que se conhece o coração.
- Aparência rude, coração generoso.
- Não julgues pela cara.
Relacionados
- Não julgues o livro pela capa
- O hábito não faz o monge
- As aparências enganam
Contrapontos
- Em contextos profissionais ou de segurança, a primeira impressão pode ser importante e a avaliação objetiva do comportamento é necessária.
- O provérbio não justifica comportamentos abusivos: bondade interior não torna aceitáveis actos prejudiciais.
- Generalizar com base no provérbio pode perpetuar estereótipos — nem sempre a aparência é irrelevante.
Equivalentes
- inglês
He has a rough exterior but a heart of gold. / Don't judge a book by its cover. - espanhol
Cara de pocos amigos, corazón de oro. / No juzgues por las apariencias. - francês
Il a l'air renfrogné mais a bon cœur. / L'habit ne fait pas le moine.